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SEMIÓTICA FÁCIL
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SIGNOS|
O universo dos signos abrange as inumeráveis "coisas representativas de outras coisas": estímulos e saberes que nos chegam via percepção e que passamos a conhecer e sobretudo reconhecer relacionar através da memória e dos raciocínios associativos. Sem signos não há um saber consciente de coisa alguma. O pensador da semiótica, Charles Sanders Peirce, escreveu que o próprio homem é um signo, pois somente tem consciência de si mesmo, quando se reconhece como tal, pela simples experiência de ser e saber que é homem implicando este fato em discernir o "não ser" planta, pedra ou outro animal. É na dimensão da consciência e do pensamento reflexivo que o homem se reconhece como homem: (...) que entendemos nós por real ? (...) realidade sem representação não possui relação nem qualidade. (...) não há elemento na consciência que não possuaalgo correspondente na palavra (...) Se cada pensamento é um signo e a vida é uma corrente de pensamento, o homem é um signo (...) porque o homem é o pensamento. É difícil para o homem entender isto, pois persiste em identificar-se com a vontade, com seu poder sobre o organismo animal, a força bruta. Ora, o organismo é tão-somente um instrumento do pensamento. (PEIRCE, 1980 - p. 81/82) Diante da diversidade de signos, os estudiosos buscam uma forma de agrupá-los em tipos característicos. Geralmente são classificados de acordo com a maneira pela qual "funcionam", ou seja, pela forma se alcança um entendimento através dos signos, quando estamos diante deles, em plena semiose. A classificação mais simples e largamente utilizada foi concebida por Peirce que distingue três espécies de signos aos quais correspondem três diferentes modos de semiose. São signos: os símbolos, os ícones e os índices ou indícios 3.1. PEIRCE E TIPOS DE SIGNO SÍMBOLOS ÍCONES ÍNDICES O que complica é que o caráter do signo não é uno e nem fixo. Um mesmo signo pode ser de caráter simbólico, icônico e indicial. Com predominância desse ou daquele caráter. Por isso, os significados são como imagens caleidoscópicas. Mudam, de acordo com a situação ou a circunstância de ocorrência da semiose. Nas circunstâncias particulares de cada ocorrência do fenômeno entendimento. EXEMPLO 6 BALANÇA. Dependendo das circunstâncias balança pode assumir diferentes significados. É símbolo da justiça, é ícone balança representando a si mesma, indício de local de pesagem de alimentos num supermercado; indício outra vez, se a polícia encontra uma certa balança, em casa de certo suspeito, pode significar tráfico de drogas; ou pode ser apenas um instrumento que me informa: tal homem, residente nessa casa é um químico. Nas palavras de Peirce: O representamen (...) divide-se por tricotomia em signo geral ou símbolo, índice e ícone. O Icone é um representamen que preenche essa função em virtude de característica própria que possui, mesmo que seu objeto não exista. Assim, a estátua de um centauro (...) representa um centauro (...) exista ou não o centauro. (...) Índice é representamen em virtude em virtude de uma característica que deve à existência de seu objeto, e que continuará tendo quer seja interpretado como representamen ou não. Por exemplo, um antiquado higrômetro é um índice. (...) Símbolo é um representamen que preenche sua função sem qualquer similaridade ou analogia com seu objeto e é igualmente independente de qualquer ligação factual, símbolo unicamente por ser interpretado como reresentamen. Por exemplo, uma palavra genérica, uma sentença, um livro. (PEIRCE, 1980 - p. 28)
3.2. GÊNESE DOS SIGNOS Nascem os signos de associações provocadas por experiências repetidas, espontâneas ou voluntárias. As experiências são contatos e reações. Os signos são os representantes do conhecimento resultante de contatos e reações. O contato é o estímulo à sensação-percepção. Reação é a ato ou pensamento decorrente do impacto do percebido. O signo é o representante do conhecimento assim adquirido. Partindo de associações, reconhecemos objetos, as coisas - e também os indícios de coisas. As representações, continuamente usadas na linguagem e no entendimento pessoal, tornam-se convenções - símbolos e assim temos as três modalidades de signo que os estudiosos distinguem: ícones, índices e símbolos. Nascem os signos nas terceira instância do ser da consciência. A consciência inerte em indiferença sofre estímulo - contato, esse é o momento-instância, de tomada de consciência, que Peirce denomina PRIMEIRIDADE. Eis que reage, processa, registra, compara, recorda... É a REAÇÃO, segunda instância da consciência, a SEGUNDIDADE. Enfim, há um conhecimento resultante, é a REPRESENTAÇÃO, terceira instância de um ser e estar da consciência, TERCEIRIDADE, primeira manifestação do que podemos já considerar como um signo e é através dele que agarramos o conhecimento e dele tomamos posse. E tomar posse do signo é algo como tomar posse da realidade, é um possuir pelo saber.
BIBLIOGRAFIA ECO , Umberto. Semiótica e filosofia da linguagem. Instituto Piaget, 1984.PEIRCE, Charles Sanders. Terceiridade degenerada. In Conferências sobre o Pragmatismo. As categorias (continuação), § 1. São Paulo: Abril Cultural, 1980. (col. Os Pensadores) |
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